A história da aquariofilia

A aquariofilia ou aquarismo é um passatempo extraordinário que pode ser usado como estratégia de combate ao stress. A calma, a paz que o meio aquático traz consigo, a observação e o acompanhamento do comportamento, vida e reprodução dos peixes, pode mesmo considerar-se um plano terapêutico no mundo agitado em que vivemos. Conheça a história da aquariofilia e saiba um pouco mais sobre esta atividade relaxante e entusiasmante.

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A aquariofilia no Egito Antigo

A civilização egípcia nasceu próxima do Rio Nilo, daí a sua adoração ancestral pelos peixes. Na religião egípcia veneraram-se alguns peixes, como o Latus Niloticus (Perca do Nilo), que alguns arqueólogos descobriram mumificado, assim como a Tilapia Nilotica (Tilápia do Nilo). Por outro lado, foram encontradas numerosas gravuras parietais e pinturas no interior dos túmulos, o que testemunha o respeito dos egípcios pelos peixes.

Quanto à criação de peixes em aquário, há testemunhos arqueológicos que levam a pensar em práticas de adivinhação baseadas no comportamento dos peixes. Nas gravuras descobertas, estavam grandes tanques de vidro com peixes associados a rituais mágicos, como a adivinhação das cheias do Nilo por parte dos astrólogos, embora também se usassem esses tanques como reserva de alimentos.

A aquariofilia na Grécia Antiga

À semelhança de muitas outras áreas, a civilização grega herdou muitos dos conhecimentos e práticas dos egípcios. Assim, também os peixes continuaram a ser alvo de observações mais ou menos científicas. Aristóteles também dedicou parte do seu estudo científico a esta temática; os peixes de aquário foram estudados e classificados em mais de cem espécies diferentes, com base nos peixes existentes no mar Egeu. O peixe era um dos alimentos mais apreciados pelos Gregos Antigos. No entanto, os tanques de vidro talvez já fossem usados com intuito ornamental. Não há, contudo, evidências cientificas fiáveis no conhecimento arqueológico.

A aquariofilia em Roma

O povo romano, apaixonado pelos costumes exóticos que foram trazidos das regiões mais recônditas do Império, deixou-se seduzir completamente pela prática do aquarismo. Existem vários testemunhos arqueológicos que dão conta, em pleno império romano, da existência de vasos de vidro - especialmente nas casas mais abastadas - com pequenos peixes de aquário mas também tanques com exemplares de grandes dimensões. Esta adaptação do peixe para funções estéticas talvez tenha a ver com a pouca apetência dos romanos para incluírem o peixe na alimentação.

A aquariofilia na Idade Média

Com a queda do Império Romano e o triunfo dos reinos bárbaros cristianizados, as estruturas económicas da Europa entraram em declínio e a pobreza material invadiu o velho continente. O triunfo do cristianismo espalhou-se pela Europa. Neste contexto, a aquariofilia parece ter entrado num período mais obscuro, talvez relacionado com o facto de o peixe ser um símbolo cristão, de tal forma que a sua criação em cativeiro deixou de ser considerada um hábito “nobre”.

Este contexto alterou-se um pouco no final da idade Média, em resultado das viagens de Marco Polo no século XIII. O viajante genovês terá trazido do oriente testemunhos de práticas orientais (dos chineses) que criavam peixes em tanques de vidro. Este fascínio centrava-se numa espécie de peixe criado em cativeiro e que até aí era desconhecido na europa: o Carassius Douratus (peixe dourado), também adotado pelos japoneses, ao qual davam o nome de peixe japonês.

Foi precisamente na China que, um pouco mais tarde (século XVI) se escreveu o primeiro livro sobre peixes: o “Livro dos Peixes Vermelhos”, de Chang Chi En-Tê. Nessa obra surgem curiosas instruções sobre como criar e alimentar peixes em aquário. Tratou-se do verdeiro pioneiro da aquariofilia.

A afirmação da aquariofilia na Europa Moderna

Na época das descobertas, os portugueses tiveram uma grande importância neste processo, uma vez que transportavam nos barcos peixes de origem tropical, atraídos pelo carater exótico destas espécies. No entanto, os resultados eram geralmente catastróficos porque os peixes, habituados a águas quentes acabavam por morrer nos frascos de vidro com água fria. Os marinheiros, muitas vezes, tentavam aquecer o vidro com lamparinas sob os frascos mas os resultados não eram nada agradáveis!

O sistema de classificação de peixes

Deve-se ao célebre biólogo Carlos Lineu o triunfo da prática da aquariofilia na Europa, em pleno século XVIII. Interessado em classificar o maior número possível de animais existentes na terra, Lineu criou um sistema de classificação dos peixes que ainda hoje é utilizado. A sua taxonomia envolvia a classificação dos peixes por género e espécie.

O aparecimento dos aquários

Foi na sequência dos estudos de Lineu que, no século XIX, surgiram os primeiros aquários com o formato e utilização tais como os conhecemos hoje. O norte-americano William Thorton Innes foi o autor do primeiro tratado de aquariofilia: “Exotic Aquarium Fishes”, onde se classificam os peixes de aquário cuja criação se tornava viável em boas condições.

Na europa, davam-se os primeiros passos na construção dos primeiros aquários públicos, na sequência dos trabalhos do biólogo inglês R. Harrington. No ano de 1852 foi construído em Londres o primeiro aquário público, na London Zoological Society.

Ter um aquário em casa tornou-se então uma moda na Inglaterra vitoriana de finais do século. E é sabido como as modas vitorianas depressa se difundiram por todo o mundo “civilizado”. A partir daí os aquários começaram a ser fabricados de uma forma cada vez mais sofisticada. Atualmente, esta prática está difundida por todo o mundo com as mais variadas intenções: estéticas, científicas e até terapêuticas.

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